PPR, ETF, depósito ou Certificados? Onde poupar para a reforma
Comparação com números entre um PPR, um ETF numa corretora e um depósito a prazo: impostos, comissões, dedução de IRS e liquidez. Quando cada um ganha.
O PPR tem vantagens fiscais que nenhuma outra aplicação oferece. Mas tem também comissões, em regra, mais altas do que um ETF comprado diretamente numa corretora, e menos liquidez. Qual ganha? Depende dos números, por isso fizemos as contas.
O cenário
Uma pessoa de 35 anos aplica 2.000 € por ano durante 25 anos. Os mercados rendem 6% brutos ao ano. Comparamos:
- PPR: comissão de 1,5%; dedução de IRS reinvestida no PPR; imposto de 8% sobre o ganho no resgate (condições legais).
- ETF de acumulação numa corretora: custos de 0,3% ao ano; imposto de 28% sobre o ganho na venda.
- Depósito a prazo: juro de 2% ao ano, tributado a 28% todos os anos.
O resultado
| Cenário (25 anos, 50.000 € do seu bolso) | Valor líquido final |
|---|---|
| PPR, comissão 1,5%, IRS reinvestido | 104.207 € |
| PPR, comissão 1,5%, sem reinvestir o IRS | 89.690 € |
| ETF, custos 0,3% | 94.064 € |
| Depósito a 2% | 60.534 € |
| PPR, comissão 0,8%, IRS reinvestido | 114.924 € |
| PPR, comissão 2,2%, IRS reinvestido | 94.667 € |
Três conclusões:
- A dedução de IRS só vale se for reinvestida (ou poupada). Se o reembolso for gasto, o PPR com 1,5% de comissão perde para o ETF.
- A comissão decide. Com 0,8%, o PPR ganha por mais de 20.000 €. Com 2,2%, fica empatado com o ETF.
- O depósito fica muito atrás em qualquer cenário longo, porque não tem exposição ao crescimento das empresas e é tributado todos os anos.
Os valores do PPR e do ETF assumem uma rentabilidade constante e a mesma carteira; na realidade, ambos terão anos negativos. Teste outros cenários na calculadora PPR vs ETF vs depósito.
A diferença que os números não mostram: liquidez
O ETF pode ser vendido em qualquer dia útil. O PPR só sai sem penalização nas condições legais. Para quem pode precisar do dinheiro antes dos 60 anos, esta rigidez tem um custo real. Para outros, é uma vantagem: protege a poupança da reforma de decisões impulsivas.
E os Certificados de Reforma?
Os Certificados de Reforma são o regime público de capitalização da Segurança Social: contribuições voluntárias, descontadas do salário, investidas num fundo público. Têm custos baixos e uma lógica semelhante à de um PPR, mas regras próprias de adesão, contribuição e resgate. Podem complementar um PPR; informe-se junto da Segurança Social.
Uma estratégia combinada
- Construa primeiro um fundo de emergência num depósito ou conta poupança.
- Aplique no PPR o valor que esgota a dedução de IRS (2.000 €, 1.750 € ou 1.500 €, consoante a idade), num PPR de custo baixo e perfil adequado, e reinvista o reembolso.
- Invista o que sobrar, se quiser, em ETF globais de baixo custo, com liquidez total.
Perguntas frequentes
Um ETF pode ser melhor do que um PPR?
Sim, quando o PPR tem comissões altas, quando não aproveita a dedução no IRS ou quando precisa de liquidez antes das condições legais. Com comissões baixas e dedução aproveitada, o PPR tende a ganhar.
Posso ter PPR e ETF ao mesmo tempo?
Sim, e é uma estratégia comum: aplicar no PPR o valor que esgota a dedução de IRS e investir o restante em ETF.
Existem PPR que investem em ETF?
Sim. Alguns PPR usam ETF para construir a carteira, o que tende a reduzir os custos. Procure no comparador.